Estrangeiro se torna o primeiro motorista de ônibus da província de Ibaraki

A província de Ibaraki registrou recentemente um marco importante na integração de trabalhadores estrangeiros no Japão. Um estrangeiro passou a operar rotas de transporte público, tornando-se o primeiro motorista estrangeiro de ônibus da região, em meio à crescente escassez de profissionais no setor.
A iniciativa chama atenção porque o transporte público japonês sempre foi considerado uma área altamente tradicional e com exigências rigorosas de qualificação. No entanto, o envelhecimento da população e a falta de mão de obra estão levando empresas e governos locais a abrirem novas oportunidades para trabalhadores estrangeiros.
Escassez de motoristas se tornou um problema nacional
Nos últimos anos, o Japão tem enfrentado uma queda significativa no número de motoristas profissionais. A aposentadoria de trabalhadores mais velhos e o desinteresse de jovens japoneses pela profissão têm reduzido drasticamente a força de trabalho disponível.
Para enfrentar esse problema, o governo japonês decidiu incluir o setor de transporte rodoviário — incluindo motoristas de ônibus, táxi e caminhão — no programa de visto “Specified Skilled Worker” (SSW). A medida permite a contratação de estrangeiros para essas funções e deve ampliar o número de trabalhadores internacionais no setor nos próximos anos.
Brasileiros também começam a aparecer na área
Embora ainda sejam poucos, estrangeiros — incluindo brasileiros — já começam a entrar no setor de transporte.
Na província de Aichi, por exemplo, um motorista nipo-brasileiro foi contratado pela empresa Meitetsu Bus em um projeto pioneiro de formação de condutores estrangeiros, conhecido como “Modelo Okazaki”. O profissional passou por treinamento, estudos de japonês e preparação para obter a habilitação profissional antes de começar a operar rotas na região.
Em entrevistas divulgadas pela mídia local, o motorista comentou que seu objetivo é se tornar um condutor seguro e confiável para os passageiros, destacando o orgulho de trabalhar no transporte público japonês.

Casos como esse mostram que, apesar das dificuldades e da exigência de qualificação, brasileiros também começam a conquistar espaço nesse setor.
O que é preciso para dirigir ônibus no Japão
Para trabalhar como motorista de ônibus no Japão, não basta possuir uma carteira comum. É necessário obter a chamada carteira de motorista Classe 2 (第二種免許), obrigatória para qualquer veículo que transporta passageiros comercialmente, como ônibus e táxis.
Entre os principais requisitos estão:
- Ter 21 anos ou mais
- Possuir pelo menos três anos de experiência com carteira comum
- Passar em exame teórico e prático de direção
- Demonstrar conhecimento das regras de trânsito japonesas
- Concluir treinamento profissional para transporte de passageiros
Além disso, estrangeiros que possuem carteira de motorista do exterior geralmente precisam converter a habilitação para o sistema japonês antes de avançar para a licença profissional.
Revisões no programa SSW ampliam oportunidades
As mudanças no setor fazem parte de uma revisão mais ampla do sistema de imigração japonês.
Criado em 2019, o programa Specified Skilled Worker (SSW) permite que estrangeiros trabalhem em setores com falta de mão de obra. Nos últimos anos, o governo expandiu o programa para incluir o transporte rodoviário, abrindo caminho para que estrangeiros possam atuar como motoristas profissionais no país.
Empresas de transporte e autoridades locais também começaram a desenvolver programas de treinamento que combinam aulas de japonês, formação profissional e apoio para obtenção da carteira de motorista, facilitando a entrada de trabalhadores estrangeiros no setor.
O futuro do transporte público no Japão
Com o envelhecimento acelerado da população japonesa e a diminuição da força de trabalho, especialistas acreditam que o país precisará ampliar cada vez mais a participação de estrangeiros em serviços essenciais.
No caso do transporte público, a presença de motoristas estrangeiros pode ajudar a evitar a redução de linhas de ônibus — especialmente em cidades menores, onde idosos e estudantes dependem desse serviço diariamente.
A estreia do primeiro motorista estrangeiro em Ibaraki pode ser apenas o começo de uma nova fase para o setor. E, com as mudanças nas regras de imigração e no sistema de formação profissional, é possível que cada vez mais estrangeiros — incluindo brasileiros — assumam o volante do transporte público japonês.