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Cotidiano

O Golpe de ¥4,6 Bilhões no criador de Saint Seiya

Minna Portal setembro 3, 2026 8 min 10 visualizações

Criador de Cavaleiros do Zodíaco processa ex-gerente após descobrir suposto desvio milionário que quase levou sua empresa à falência

O universo de Saint Seiya, conhecido em vários paises como Cavaleiros do Zodíaco, acaba de ser envolvido em uma história que parece saída de um roteiro de ficção, mas que está sendo discutida nos tribunais japoneses. Masami Kurumada, criador da famosa série de mangá, revelou que três empresas sob seu comando teriam sido vítimas de um desvio de aproximadamente ¥4,68 bilhões, equivalente a dezenas de milhões de dólares.

A denúncia foi apresentada publicamente em 2 de setembro de 2026, quando Kurumada realizou uma coletiva de imprensa em Tóquio e anunciou que as empresas haviam entrado com uma ação no Tribunal Distrital de Tóquio contra um ex-executivo que também atuava como seu gerente.

O caso envolve uma quantia extraordinária, mas o aspecto mais delicado da história está na posição ocupada pelo principal acusado. Segundo a ação, ele era responsável por questões contábeis, operações administrativas e negociações com empresas externas, tendo acesso direto às movimentações financeiras dos negócios de Kurumada.

Como o dinheiro teria sido desviado

De acordo com a denúncia apresentada pelas empresas, o esquema teria ocorrido principalmente entre 2018 e 2024.

O ex-executivo é acusado de transferir, sem autorização, dinheiro das contas das empresas de Kurumada para contas de outras companhias que estariam sob seu controle. Além disso, as empresas afirmam que pagamentos de licenciamento que deveriam chegar às companhias de Kurumada foram direcionados para essas outras contas.

Isso é particularmente importante no caso de Saint Seiya porque o negócio criado em torno da obra não depende apenas da venda dos mangás originais. Ao longo das décadas, a série se transformou em uma propriedade intelectual internacional, gerando receitas provenientes de licenciamento, produtos, animações, jogos e outros usos comerciais dos personagens e da marca.

Segundo a imprensa japonesa, o ex-executivo teria utilizado várias empresas para receber esses valores. A denúncia também afirma que uma empresa teria sido criada secretamente com aparência de empresa afiliada, justamente para facilitar determinados pagamentos e dificultar a identificação da origem dos recursos.

As empresas de Kurumada afirmam ainda que outras seis pessoas teriam participado do esquema. Parte dos recursos teria sido utilizada em investimentos em criptoativos, segundo a acusação apresentada no processo.

É importante ressaltar que essas informações são alegações constantes da ação judicial. O processo ainda está em andamento, portanto elas não devem ser apresentadas como uma condenação criminal definitiva.

O rombo foi descoberto em 2024

Um dos detalhes mais impressionantes do caso é que o suposto desvio não teria sido descoberto imediatamente.

Segundo a documentação citada pela imprensa japonesa, a irregularidade veio à tona por volta de fevereiro de 2024, depois de uma observação feita pelo Tokyo Regional Taxation Bureau, órgão responsável pela administração tributária da região de Tóquio.

Naquele momento, a situação financeira das empresas teria sido muito mais grave do que se poderia imaginar.

Kurumada afirmou que, quando o problema foi descoberto, as contas da empresa tinham recursos limitados e que a situação chegou ao ponto de existir o risco de falência da Kurumada Production. A empresa também teria enfrentado dificuldades para pagar impostos significativos devido à falta de dinheiro disponível.

Ou seja, o problema não teria sido apenas uma perda contábil gigantesca. Segundo o próprio autor, o fluxo financeiro das empresas chegou a um ponto em que a continuidade dos negócios estava ameaçada.

¥1,8 bilhão já foi recuperado

O valor total alegado pelas empresas é de aproximadamente ¥4,68 bilhões.

Desse montante, cerca de ¥1,8 bilhão já teria sido recuperado. Por isso, as três empresas entraram com uma ação judicial buscando aproximadamente ¥2,886 bilhões em indenização pelos valores que ainda não foram recuperados.

Os números ajudam a dimensionar o tamanho do caso:

  • ¥4,68 bilhões: valor total que as empresas afirmam ter sido desviado;
  • ¥1,8 bilhão: aproximadamente o valor já recuperado;
  • ¥2,886 bilhões: aproximadamente o valor reivindicado na ação judicial;
  • 2018–2024: período em que os desvios teriam ocorrido;
  • 3 empresas: companhias de Kurumada que aparecem como autoras da ação;
  • 6 outras pessoas: apontadas pelas empresas como participantes do esquema, além do ex-executivo.

O homem que cuidava das finanças era alguém de confiança

Talvez a parte mais difícil para Kurumada não seja apenas o tamanho do prejuízo financeiro, mas a relação de confiança envolvida.O ex-executivo não era simplesmente um funcionário responsável por uma tarefa específica. Ele havia ocupado uma posição de grande responsabilidade dentro das empresas e também trabalhava como gerente de Kurumada.

A imprensa japonesa informa ainda que o homem havia sido anteriormente editor de Kurumada, trabalhando com ele décadas atrás durante a publicação de Ring ni Kakero 2. Posteriormente, passou a cuidar de questões financeiras e administrativas do mangaká.

Durante a coletiva de imprensa em Tóquio, Kurumada declarou que confiava a esse homem o controle das entradas e saídas financeiras de seus negócios. O autor também afirmou que ficou profundamente abalado quando descobriu o que havia acontecido.

Para alguém que trabalha há mais de cinco décadas no setor de mangás e animação, a descoberta representou não apenas uma crise empresarial, mas também uma ruptura pessoal com alguém em quem havia depositado confiança.

O sucesso de Saint Seiya torna o valor ainda mais impressionante

A dimensão do caso fica mais clara quando colocada ao lado do tamanho da franquia.

Kurumada começou a publicar Saint Seiya na década de 1980 na Weekly Shonen Jump. A obra rapidamente se transformou em um fenômeno cultural e posteriormente ganhou adaptações para televisão, filmes, videogames e produtos licenciados.

Segundo o Straits Times, a série já vendeu mais de 50 milhões de cópias no mundo.

O sucesso internacional também transformou Saint Seiya em uma propriedade intelectual capaz de gerar receitas muito além das páginas originais do mangá.

Por isso, licenciamento é uma parte fundamental do negócio. E justamente os pagamentos de licenciamento aparecem entre os recursos que as empresas afirmam terem sido desviados.

A situação demonstra como uma franquia criada há décadas pode continuar movimentando valores enormes e, ao mesmo tempo, como a administração de direitos autorais e comerciais pode se tornar extremamente complexa.

Até uma exposição foi afetada

As consequências do problema financeiro aparentemente chegaram também aos planos culturais relacionados ao trabalho de Kurumada. Segundo o Nikkansports, o próprio autor revelou que uma exposição de seus originais planejada para 2024 em Roppongi Hills, em Tóquio, precisou ser cancelada em razão das consequências do caso. Kurumada pediu desculpas aos fãs de todo o mundo que esperavam pelo evento.

Agora, o autor pretende realizar uma nova exposição em Ikebukuro, Tóquio, na primavera de 2027.

A intenção mostra que, apesar do enorme problema financeiro, Kurumada pretende continuar trabalhando e reconstruindo a estrutura necessária para administrar seu patrimônio artístico.

O que acontecerá com Saint Seiya?

A existência do processo não significa que Saint Seiya tenha deixado de funcionar como franquia. O caso envolve principalmente a administração financeira das empresas ligadas a Kurumada e a alegação de que recursos foram desviados dessas companhias.

A própria dimensão internacional da série ajuda a explicar por que a notícia repercutiu fora do Japão.

Saint Seiya não é apenas um mangá japonês antigo. Seus personagens continuam presentes em animações, filmes, videogames, produtos colecionáveis e acordos de licenciamento internacionais, mantendo a franquia relevante décadas depois de sua criação.

O processo judicial deverá determinar as responsabilidades e os valores que efetivamente poderão ser recuperados.

Um golpe que quase derrubou a empresa por trás dos Cavaleiros

A história é especialmente surpreendente porque aconteceu nos bastidores de uma das franquias mais conhecidas da cultura pop japonesa.

Enquanto milhões de fãs conheciam Seiya, Shiryu, Hyoga, Shun e Ikki e acompanhavam novas versões da obra, as empresas responsáveis pela administração dos direitos de Kurumada enfrentavam, segundo a denúncia, uma enorme saída de dinheiro.

O valor alegado — ¥4,68 bilhões — transformou o caso em um dos maiores escândalos financeiros recentes envolvendo uma personalidade da indústria japonesa de mangá.

Kurumada, hoje com 72 anos, continua sendo o proprietário e representante de empresas responsáveis pela administração de seus trabalhos. A ação apresentada no Tribunal Distrital de Tóquio representa agora uma tentativa de recuperar os quase ¥2,9 bilhões que permanecem em disputa, depois dos cerca de ¥1,8 bilhão já recuperados.

O criador de Saint Seiya passou décadas construindo um dos maiores legados do mangá japonês. Agora, aos 72 anos, enfrenta uma batalha completamente diferente daquela que colocou seus personagens contra deuses e guerreiros mitológicos.

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