julho 14, 2026 | terça-feira
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Onsen para pés com Pokemons – Mas é proíbido tocar neles agora

Minna Portal julho 14, 2026 8 min 3 visualizações

A atração termal criada para simbolizar a reconstrução de Noto precisou impor uma nova regra depois que três estátuas foram danificadas poucas semanas após a inauguração

Um dos lugares mais curiosos para os fãs de Pokémon no Japão voltou a receber visitantes com todos os personagens restaurados. Entretanto, a experiência agora vem acompanhada de uma orientação bastante clara: os Pokémon podem ser observados e fotografados, mas não devem mais ser tocados.

Localizado em Wakura Onsen, na cidade de Nanao, província de Ishikawa, o Wakura Pokémon Footbath é um espaço gratuito onde os visitantes podem mergulhar os pés em água termal enquanto observam o mar e uma coleção de personagens espalhados ao redor da instalação.

A atração foi reaberta em 12 de maio de 2026, depois de permanecer inutilizada por aproximadamente dois anos e quatro meses devido aos danos provocados pelo terremoto da Península de Noto, ocorrido em 1º de janeiro de 2024.

A renovação foi realizada pela cidade de Nanao em colaboração com a Pokémon With You Foundation, dentro de um esforço mais amplo para recuperar o turismo e devolver à comunidade um espaço de convivência profundamente ligado à identidade de Wakura Onsen.

A proposta parecia reunir três elementos capazes de atrair turistas de diferentes gerações: a tradicional cultura japonesa das águas termais, personagens conhecidos internacionalmente e uma paisagem diretamente ligada ao processo de reconstrução de Noto.

Pouco mais de um mês depois da abertura, porém, quase metade das estátuas já apresentava algum tipo de dano.

Três Pokémon foram danificados em poucas semanas

O espaço possui sete grupos de personagens, incluindo Pikachu (ピカチュウ — Pikachū), Psyduck (コダック — Kodakku), Vaporeon (シャワーズ — Shawāzu), Quaxly (クワッス — Kuwassu), Gyarados (ギャラドス — Gyaradosu), Poliwag (ニョロモ — Nyoromo) e Politoed (ニョロトノ — Nyorotono).

As esculturas foram posicionadas próximas aos assentos e à área de circulação, permitindo que crianças e adultos tirassem fotografias enquanto utilizavam o banho para os pés.

No dia 21 de maio, visitantes perceberam que parte da cauda de Vaporeon (シャワーズ) havia sido quebrada. Posteriormente, também foram encontrados danos em Gyarados (ギャラドス) e na pata esquerda de Psyduck (コダック).

No caso de Psyduck, a parte que se desprendeu da estátua teria sido encontrada em outro local, o que levou a prefeitura a registrar uma ocorrência policial.As autoridades não afirmaram que todos os episódios foram atos intencionais. Algumas das esculturas possuem partes finas e salientes, como caudas, patas e nadadeiras, que podem ser danificadas quando alguém se apoia, puxa ou tenta subir sobre elas.

Antes dos incidentes, já existiam placas pedindo aos visitantes que não batessem nem subissem nos personagens. Não havia, entretanto, uma proibição explícita contra simplesmente tocá-los.Essa diferença aparentemente pequena tornou-se importante. Em um local criado para crianças, repleto de personagens instalados ao alcance das mãos, muitos visitantes podiam entender que um contato leve para fazer fotografias fazia parte da experiência.

O problema foi que a soma de milhares de toques, movimentos bruscos e possíveis tentativas de se apoiar nas esculturas mostrou que a atração não resistiria por muito tempo sem regras mais rígidas.

Todos os personagens foram restaurados

Após os danos, Vaporeon e Psyduck foram temporariamente removidos para reparos, enquanto Gyarados recebeu uma intervenção emergencial.

A cidade de Nanao e a Pokémon With You Foundation concluíram a restauração, permitindo que os sete conjuntos de personagens voltassem a ser exibidos a partir de 4 de julho. Com a reabertura completa, surgiu a nova orientação: os visitantes devem apenas observar os Pokémon, sem encostar nas estátuas.

A prefeitura também passou a manter funcionários no local para pedir que as pessoas não toquem nos personagens. Caso alguém tente segurá-los, apoiar-se neles ou ultrapassar os limites indicados, os responsáveis podem fazer uma advertência verbal.

Não se trata de transformar o espaço em uma área cercada ou distante do público. As esculturas continuam próximas do banho e podem ser fotografadas. A mudança procura preservar a aparência aberta e familiar da atração, mas estabelece que a interação deve acontecer apenas visualmente.

Para um lugar que depende justamente da proximidade entre visitantes e personagens, encontrar esse equilíbrio será um dos principais desafios.

Muito mais que uma atração de Pokémon

O Wakura Pokémon Footbath não foi criado apenas como uma nova instalação turística. O antigo banho para os pés do Yuttari Park era conhecido pela vista para a Baía de Nanao e pela água termal de Wakura, caracterizada pela elevada concentração de sal.

O terremoto de 2024 danificou a base de concreto e as tubulações que transportavam a água, obrigando o fechamento da estrutura por mais de dois anos. Quando o espaço finalmente voltou a funcionar, a presença dos Pokémon foi apresentada como parte do esforço para trazer visitantes novamente à região.

Gyarados (ギャラドス) ocupa uma posição simbólica no projeto. Por evoluir de Magikarp (コイキング — Koikingu), um pequeno peixe aparentemente frágil, para uma criatura poderosa semelhante a um dragão, o personagem foi escolhido para representar a capacidade de transformação e recuperação de Noto.

A água termal chega ao banho através da boca da escultura de Gyarados, reforçando a ligação entre o personagem, a paisagem e a identidade termal de Wakura. Durante a inauguração, crianças de instituições locais foram convidadas para utilizar o espaço, enquanto Pikachu (ピカチュウ) participou da cerimônia de abertura.

O objetivo era devolver à comunidade não apenas uma instalação pública, mas também uma imagem de normalidade depois de um longo período marcado por destruição, obras e redução no número de turistas.

Nesse contexto, uma cauda quebrada ou uma pata arrancada não representa apenas um problema de manutenção. Os personagens fazem parte de uma atração pensada para comunicar ao restante do Japão que Wakura Onsen está voltando a receber pessoas.

O turismo como parte da reconstrução

A recuperação de uma região atingida por um grande desastre não depende exclusivamente da reconstrução de estradas, hotéis e edifícios. Também é necessário recuperar a circulação de pessoas, o funcionamento dos pequenos negócios e a confiança dos viajantes.

Wakura Onsen foi uma das áreas turísticas mais afetadas pelo terremoto da Península de Noto. Diversas pousadas tradicionais permaneceram fechadas ou passaram por extensos processos de reparação.Mesmo quando parte da infraestrutura voltou a funcionar, a imagem de uma região ainda em emergência continuou afastando visitantes.

A instalação de Pokémon em um banho termal gratuito oferece um motivo simples para que famílias, colecionadores e turistas estrangeiros incluam Nanao em seus roteiros. O local também faz parte de uma estratégia mais ampla de turismo temático. Uma tampa de bueiro da série Poké Lids foi instalada perto da entrada, com desenhos de Gyarados, Poliwag e Politoed.

A região também avançou com iniciativas inspiradas no universo Pokémon para estimular os visitantes a circular por diferentes pontos da Península de Noto.

Essa combinação entre personagens populares e destinos menos visitados já se tornou uma ferramenta relevante de promoção regional no Japão.

No caso de Noto, entretanto, ela possui um peso adicional, porque cada visita pode contribuir diretamente para hotéis, restaurantes, lojas e serviços que ainda tentam se recuperar.

Um espaço gratuito que depende do comportamento dos visitantes

O Wakura Pokémon Footbath funciona diariamente das 7h às 19h, embora possa fechar dependendo das condições meteorológicas.

A entrada é gratuita, há estacionamento disponível e os visitantes precisam levar a própria toalha. A prefeitura também pede que as pessoas sequem os pés depois do uso para evitar que o piso fique molhado e escorregadio. Manter um espaço como esse gratuito e acessível exige que o público compreenda que os personagens não são brinquedos, mesmo quando parecem convidar à interação.

Para muitas crianças, pode ser difícil resistir à vontade de abraçar Pikachu, segurar a cauda de Vaporeon ou colocar a mão na cabeça de Psyduck. Por isso, a responsabilidade também recai sobre os adultos que acompanham os pequenos. O episódio mostra como algumas atrações públicas enfrentam uma contradição cada vez mais comum.

Os espaços são projetados para produzir fotografias próximas, experiências compartilháveis e contato emocional, mas os objetos que tornam tudo isso possível podem ser frágeis. Depois dos reparos, o banho termal voltou a exibir sua formação completa. Os fãs ainda podem sentar-se diante dos personagens, observar a Baía de Nanao e registrar a visita.

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