Monte Fuji Faz Sua Segunda Vítima Nesta Temporada
Um turista suíço de 58 anos morreu após passar mal durante uma escalada no Monte Fuji, tornando-se a segunda vítima fatal registrada na temporada oficial de 2026. O homem fazia a subida acompanhado pelo filho quando perdeu a consciência em um abrigo localizado na sétima estação da rota Fujinomiya, uma das principais trilhas de acesso ao ponto mais alto do Japão.
O caso aconteceu na tarde de 21 de julho, poucos dias depois da abertura completa da rota. Apesar da mobilização dos funcionários do abrigo, da utilização de um desfibrilador e do trabalho das equipes de resgate, o estrangeiro não resistiu. A tragédia reforça uma advertência frequentemente repetida pelas autoridades: o Monte Fuji pode parecer acessível, mas continua sendo uma montanha de grande altitude, com condições capazes de mudar rapidamente e colocar até visitantes experientes em perigo.
O homem chegou a recuperar a consciência
De acordo com a polícia da província de Shizuoka, o turista começou a se sentir mal enquanto subia pela rota Fujinomiya com o filho. Eles pararam para descansar em um abrigo da chamada Nova Sétima Estação, onde o homem desmaiou.
O pedido de socorro foi feito pouco antes das 16h. Funcionários do abrigo utilizaram um desfibrilador externo automático, conhecido como AED no Japão, e realizaram procedimentos de reanimação. O suíço chegou a recuperar a consciência temporariamente, indicando que a resposta inicial conseguiu estabilizá-lo por alguns momentos.
Uma equipe de resgate em montanha da polícia de Shizuoka iniciou então a retirada do escalador. Ele foi colocado em um veículo especial utilizado para circular pelas áreas de serviço do Monte Fuji e começou a ser transportado em direção à quinta estação.
Durante a descida, porém, seu estado piorou novamente. O homem perdeu a consciência nas proximidades da quinta estação e foi transferido para uma ambulância. A morte foi confirmada após sua chegada ao hospital. As autoridades ainda investigavam oficialmente as circunstâncias médicas exatas do falecimento quando as primeiras informações foram divulgadas.
Segunda morte em apenas quatro dias
A morte do turista suíço ocorreu somente quatro dias depois do primeiro acidente fatal da temporada de 2026.
Em 17 de julho, um homem de 65 anos, residente na província de Nara, participava de uma excursão pela mesma rota Fujinomiya quando sofreu uma queda entre a oitava e a nona estações. Segundo as informações publicadas sobre o acidente, ele bateu a cabeça e morreu em consequência dos ferimentos.
A parte superior da trilha Fujinomiya havia sido oficialmente aberta em 10 de julho. Isso significa que as duas mortes aconteceram durante os primeiros 12 dias de funcionamento completo da rota em 2026. A temporada anterior havia terminado sem mortes registradas nas trilhas durante o período oficial, tornando o início deste ano particularmente preocupante.
A Fujinomiya é a rota mais curta até o topo do Monte Fuji, mas essa característica não significa que seja simples. O percurso é considerado íngreme e rochoso, apresentando uma subida intensa em uma distância relativamente menor. Por começar em uma altitude elevada e ganhar altura rapidamente, o trajeto também oferece menos tempo para que o organismo se adapte à redução do oxigênio.
Uma montanha que engana pela aparência
O formato simétrico do Monte Fuji e a presença de milhares de turistas em suas trilhas podem transmitir a impressão de que a escalada é apenas uma extensão de uma viagem turística. No entanto, o cume está localizado a 3.776 metros de altitude, onde a quantidade de oxigênio disponível é significativamente menor do que ao nível do mar.
Nessas condições, dores de cabeça, náuseas, tontura, cansaço intenso e dificuldade para respirar podem indicar o início do mal de altitude. O esforço físico também aumenta a pressão sobre o coração e o sistema respiratório, especialmente entre pessoas mais velhas, visitantes com condições médicas preexistentes ou escaladores que sobem rapidamente.
O clima representa outro risco. Mesmo no verão, as temperaturas próximas ao topo podem cair para níveis muito baixos, principalmente durante a madrugada. Chuva, ventos fortes e mudanças repentinas de visibilidade podem transformar uma subida aparentemente controlada em uma situação de emergência.

Embora seja possível alcançar o cume sem equipamentos técnicos de alpinismo durante a temporada oficial, isso não elimina a necessidade de preparação física, roupas adequadas, água, alimentação, planejamento e descanso. A ausência de paredes verticais ou geleiras pode criar uma falsa sensação de segurança, mas a altitude permanece sendo um fator que não pode ser ignorado.
Novas regras não eliminam os riscos individuais
Para a temporada de 2026, as autoridades reforçaram as restrições aplicadas nas rotas do lado de Shizuoka, incluindo Fujinomiya, Gotemba e Subashiri. Os escaladores devem realizar registro antecipado, concluir uma orientação sobre segurança e comportamento na montanha, obter uma autorização de entrada e pagar a taxa obrigatória de escalada.
As medidas procuram combater problemas como excesso de visitantes, lixo, equipamentos inadequados e a chamada “escalada-bala”, quando uma pessoa tenta subir durante a noite e retornar imediatamente, sem dormir ou permitir que o corpo se adapte à altitude.
No entanto, controles de entrada não conseguem impedir todas as emergências. Uma pessoa pode estar devidamente registrada, utilizar roupas adequadas e seguir uma rota oficial, mas ainda assim sofrer uma complicação médica durante o esforço. O caso do turista suíço demonstra que abrigos estruturados, desfibriladores e equipes de resgate podem aumentar as chances de sobrevivência, porém não garantem que uma situação grave será revertida.
A decisão mais importante pode ser desistir
Após a morte, a polícia voltou a pedir que os visitantes interrompam a escalada ao perceber qualquer preocupação relacionada ao próprio estado de saúde ou às condições meteorológicas.
Essa orientação parece simples, mas pode ser difícil de seguir. Para muitos estrangeiros, subir o Monte Fuji representa uma oportunidade única, planejada durante meses e incluída em uma viagem cara ao Japão. Depois de comprar equipamentos, reservar transporte e avançar por várias estações, desistir pode ser interpretado como fracasso.
Na montanha, entretanto, reconhecer os próprios limites não é fracassar. Persistir diante de tontura, fraqueza, dores incomuns ou dificuldade para respirar pode transformar uma experiência turística em uma emergência que envolve familiares, funcionários dos abrigos, policiais, bombeiros e profissionais de saúde.
A morte do escalador suíço, diante do próprio filho e a poucos dias do primeiro acidente fatal da temporada, deixa uma mensagem dolorosa. O Monte Fuji continua aberto, organizado e acessível a milhares de pessoas, mas jamais deve ser tratado como uma atração comum. Chegar ao topo pode ser o objetivo da viagem, porém voltar com segurança precisa ser a verdadeira prioridade.