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Japão já não convence os estrangeiros para trabalhar?

Minna Portal julho 15, 2026 6 min 6 visualizações

Pesquisa mostra que menos trabalhadores pretendem permanecer no país por longo prazo, enquanto o iene fraco, os salários e o custo de vida reduzem o poder de atração japonês.

O Japão ainda é um destino interessante para estrangeiros trabalharem, mas está deixando de ser uma escolha óbvia. Uma pesquisa recente da Mynavi Global mostra que muitos residentes estrangeiros não planejam abandonar o país imediatamente, porém uma parcela crescente já não imagina permanecer aqui por muitos anos.

O levantamento de 2026, divulgado em 7 de julho, ouviu 1.732 estrangeiros residentes no Japão. Entre os participantes, 61,6% afirmaram que desejam continuar trabalhando no país por mais de cinco anos. O número permanece elevado, mas representa uma queda de 14,7 pontos percentuais em comparação com o ano anterior.

Ao mesmo tempo, aumentou o grupo que pretende permanecer por um período mais curto. Cerca de 34,2% disseram querer trabalhar no Japão durante dois a cinco anos, alta de 12,7 pontos. Outros 12,7% afirmaram que gostariam de retornar ao país de origem dentro de um ano, aumento de 4,2 pontos.

Os resultados não indicam uma fuga imediata de trabalhadores estrangeiros. Eles mostram algo mais profundo: o Japão continua sendo visto como um lugar possível para trabalhar, mas está perdendo força como projeto de vida de longo prazo.

O salário japonês perdeu valor

Uma das principais razões apontadas é a desvalorização do iene. Para os turistas, a moeda japonesa fraca transforma o país em um destino mais barato. Para quem recebe salário em ienes, porém, o efeito é completamente diferente.

Produtos importados, alimentos e outras despesas diárias ficaram mais caros, enquanto os salários não cresceram na mesma velocidade que os preços. O trabalhador recebe em ienes, enfrenta um custo de vida maior e ainda percebe que suas economias valem menos quando convertidas para a moeda do país de origem.

Esse ponto é especialmente importante para estrangeiros que vieram ao Japão com o objetivo de juntar dinheiro, ajudar familiares ou retornar para casa depois de alguns anos. Mesmo que o valor recebido pareça razoável dentro do país, a quantia pode ser pouco competitiva quando comparada com salários oferecidos em outras economias.

Cada pagamento em ienes passa a representar também uma escolha. Permanecer no Japão pode significar deixar de economizar em uma moeda mais forte ou de aproveitar oportunidades profissionais em outro país.

Nem todos os estrangeiros vivem a mesma realidade

A própria composição da pesquisa ajuda a entender os resultados. Cerca de 41,1% dos entrevistados eram estudantes, enquanto outros 41,1% trabalhavam dentro do sistema de Trabalhador com Habilidade Específica, conhecido como Specified Skilled Worker ou Tokutei Ginou.

Esse sistema permite a contratação de estrangeiros em áreas como indústria, construção, limpeza, agricultura, alimentação e cuidados de idosos. São setores essenciais para a economia japonesa, mas que normalmente não oferecem os salários mais altos do mercado.

Por isso, a pesquisa não representa igualmente todos os profissionais estrangeiros que vivem no Japão. Executivos, engenheiros, especialistas em tecnologia, profissionais de finanças e trabalhadores com contratos internacionais provavelmente apareceram em menor número.

Estrangeiros empregados em cargos mais qualificados, com melhores salários e maior estabilidade, podem ter uma percepção mais positiva sobre permanecer no país. O levantamento reflete principalmente a realidade de estudantes e trabalhadores que estão no início da carreira ou em setores de remuneração mais limitada.

A queda não aconteceu em todas as nacionalidades

A maioria dos participantes veio de países asiáticos. Os vietnamitas representaram 36,1% dos entrevistados, seguidos por pessoas de Myanmar, com 22,2%, Nepal, com 13,5%, Indonésia, com 11,5%, e China, com 7,3%.

Entre os vietnamitas, a intenção de permanecer no Japão por mais de cinco anos caiu 18,4 pontos percentuais. Entre os indonésios, a redução foi de 10,9 pontos.

Entretanto, a tendência não foi igual entre todos. O interesse em permanecer por pelo menos cinco anos aumentou entre os participantes de Myanmar, Nepal e China. Isso mostra que a atratividade do Japão depende da realidade econômica, política e salarial de cada país de origem.

Para alguns estrangeiros, o Japão ainda oferece uma diferença significativa em segurança, renda e estabilidade. Para outros, essa vantagem está diminuindo rapidamente.

O Japão ainda vale a pena?

A resposta depende do tipo de emprego, do salário e do objetivo de cada trabalhador. O país ainda oferece segurança pública, infraestrutura eficiente, estabilidade e oportunidades em setores que enfrentam escassez de mão de obra.

Para quem possui uma boa proposta, possibilidade de crescimento, domínio do idioma japonês ou uma profissão especializada, trabalhar no Japão ainda pode ser uma decisão vantajosa.

A situação é diferente para quem recebe salários baixos, enfrenta poucas oportunidades de promoção e precisa enviar dinheiro para o exterior. Nesse caso, o custo de vida e o câmbio podem tornar a experiência muito menos atraente.

Também é importante lembrar que a pesquisa foi realizada entre o final de janeiro e o início de fevereiro de 2026. Desde então, o iene permaneceu fraco e a inflação continuou pressionando o orçamento das famílias. Portanto, o sentimento dos trabalhadores pode ter se tornado ainda mais negativo.

O Japão continua atraindo, mas não pode depender apenas das vagas

A pesquisa não mostra que os estrangeiros estejam deixando o Japão em massa. Ela mostra que muitos estão reconsiderando quanto tempo vale a pena permanecer.

O país ainda precisa de trabalhadores internacionais, especialmente em setores que não conseguem encontrar funcionários suficientes entre a população japonesa. Entretanto, oferecer uma vaga já não é suficiente para garantir que essas pessoas permaneçam.

Para continuar competitivo, o Japão precisará oferecer salários capazes de acompanhar o custo de vida, melhores condições de trabalho e caminhos mais claros de crescimento profissional.

O Japão ainda pode ser um bom destino para trabalhar. Mas, para um número crescente de estrangeiros, já não é necessariamente o melhor lugar para construir o futuro.

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