setembro 7, 2026 | segunda-feira
Cotidiano

Prefeito de Yokohama depois do escandalo “lixo humano”

Minna Portal setembro 6, 2026 5 min 12 visualizações

A maior cidade depois de Tóquio fica sem chefe na segunda

Takeharu Yamanaka, 53 anos, prefeito de Yokohama, entregou o pedido de demissão em 28 de agosto. Na segunda-feira, 7 de setembro, a assembleia municipal deve aceitar o papel por maioria — a previsão é de voto unânime — e o cargo se encerra no mesmo dia. A eleição suplementar fica marcada para 4 de outubro no edital e 18 de outubro nas urnas. Yamanaka não disse se volta a se candidatar. Disse apenas que “ainda não consegue pensar no que vem depois”.

Yokohama é o segundo município do Japão em população. O que derrubou o chefe não foi uma conta pública nem um voto de desconfiança clássico. Foi um relatório de três advogados, publicado em 30 de julho, que classificou a rotina do gabinete como assédio de poder grave e contínuo. O Yomiuri, em editorial de 4 de setembro, resumiu o veredito em uma frase que a prefeitura não conseguiu apagar: o comportamento era incompatível com o cargo. Pedir as contas, escreveu o jornal, era o mínimo.japantimes.co.jp

Sete itens e as palavras que sobraram no papel

O caso veio à tona em janeiro, quando Jun Kubota, então diretor de pessoal, 49 anos, deu o nome e foi à imprensa. A prefeitura montou a comissão externa. O texto final aceitou a maior parte da denúncia e agrupou a conduta em sete pontos: gritar com subordinado, atirar documentos na mesa, ignorar de propósito, xingar quem nem estava na sala, mandar recado de trabalho de madrugada e no fim de semana, banir certos quadros da sala do prefeito e usar a caneta de transferência como instrumento de medo.

As expressões que o relatório reproduziu circulam agora fora do prédio. Ponkotsu. Ningen no kuzu. Em inglês, o Japan Times traduziu o núcleo como “morons” e “human scum”. O Yomiuri escolheu “good-for-nothings” e “scum of the earth”. Em qualquer língua, o sentido é o mesmo: o chefe do executivo municipal chamava servidor de sucata e de resto humano. Kubota voltou a falar em 3 de setembro e acrescentou que o dano não parou nos gabinetes de direção. Um motorista da viatura oficial, segundo ele, foi xingado por um atraso de horário e depois recebeu diagnóstico de transtorno de estresse. “Funcionário comum também levou”, disse.

A comissão escreveu que Yamanaka, na posição de superior absoluto, repetiu o padrão sem perceber que aquilo era abuso, e que faltava a ele noção de dignidade alheia. Relatos internos descreveram o clima como “governo pelo terror”: promoção e remoção segundo a simpatia do dia. Houve menção a gente que adoeceu e a gente que pediu as contas. O relatório recomenda à cidade uma lei específica contra assédio de alto escalão. Não é detalhe jurídico. É o reconhecimento de que o organograma, sozinho, não segurou o gabinete.

Quis ficar. O parlamento não deixou.

No dia em que o relatório saiu, Yamanaka baixou a cabeça, aceitou o texto e falou em “resolver o problema que eu mesmo causei”. Queria continuar. Em agosto, ainda no plenário, repetiu o pedido de desculpas e o desejo de consertar a casa por dentro. LDP, Komeito e Partido Democrático Constitucional — as três bancadas que o tinham apoiado na eleição de 2025 — pediram a saída e prepararam moção de desconfiança. Sem maioria para sobreviver ao voto, o prefeito foi ao encontro de apoiadores, passou no gabinete do presidente da câmara, Tadanori Watanabe, e protocolou o pedido.

Na coletiva da tarde, a frase central foi esta: não imaginou o peso da palavra quando ela sai da boca do prefeito de Yokohama. Pediu desculpas a morador, servidor e vereador. Falou em pôr um ponto final. Não contestou o relatório. O Japan Times e a NHK World registraram o mesmo recuo, sem defesa de mérito. O que restou foi o calendário. A lei municipal exige aviso de vinte dias; com o aval da assembleia, o aviso encolhe e o mandato acaba no dia do voto. Por isso a sessão de 7 de setembro foi antecipada em dois dias e o período ordinário, enxugado.

Yamanaka chegou à prefeitura em 2021, ex-professor universitário, e renovou o mandato. No currículo administrativo ficaram a gratuidade do atendimento infantil, o almoço escolar para todos no ensino fundamental e a preparação da Exposição Internacional de Horticultura de 2027. O Nikkei anotou o contraste com frieza: havia entrega de política pública e, ao mesmo tempo, uma sala em que o xingamento virou método. O relatório não apaga o primeiro. Também não deixa o segundo como nota de rodapé.

O que a cidade herda na segunda-feira

Se o plenário confirmar, Yokohama passa o outono com interino no gabinete e campanha na rua. Em 12 de setembro há reunião técnica para pré-candidatos. Quem mora no Minatomirai, em Tsurumi ou no interior do município sente a troca de outro modo: fila de prefeitura, creche, lixo, visto de moradia e a pergunta de sempre sobre quem assina o papel na semana que vem. A máquina não para. O nome na porta muda.

O editorial do Yomiuri não discute se Yamanaka era eficiente. Discute se o chefe de 3,7 milhões de habitantes pode tratar servidor como objeto e chamar isso de gestão. A resposta institucional, neste setembro, é não. Sobrou a outra pergunta, que o relatório não fecha e a eleição de outubro vai herdar: quantas prefeituras ainda funcionam com a mesma porta fechada e o mesmo vocabulário, só que sem câmera na saída?

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