julho 1, 2026 | quarta-feira
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Monte Fuji: Rotas abertas, mas pagas.

Minna Portal julho 1, 2026 6 min 7 visualizações

O Fuji abriu, mas agora a montanha tem catraca

A temporada oficial de escalada do Monte Fuji começou nesta quarta-feira, 1º de julho, com duas das quatro principais trilhas abertas ao público: a Yoshida, do lado de Yamanashi, e a Subashiri, do lado de Shizuoka. O início veio com céu favorável, montanhistas no topo antes do amanhecer e a tradicional cena do sol surgindo por volta das 4h30, mas também marcou uma nova fase para quem sonha em subir a montanha mais famosa do Japão: em 2026, o Fuji não é mais apenas uma aventura de verão, é um percurso regulado por pagamento, registro, QR code, horários e fiscalização.

A mudança mais visível está no bolso e no acesso. A taxa de entrada é de 4.000 ienes por pessoa, aplicada à escalada, e Yamanashi instalou dois quiosques de autoatendimento na 5ª estação da rota Yoshida para reduzir a fila de quem chega sem pagamento antecipado. Mesmo assim, as autoridades recomendam fazer o registro e o pagamento online antes de ir, porque a lógica da temporada deixou de ser “chegar e subir” e passou a ser “planejar, pagar, provar e passar”.

Por que o Japão apertou o cerco

A explicação oficial é simples, mas o problema é profundo. O Fuji virou símbolo de uma disputa que o Japão inteiro vem enfrentando: como receber milhões de visitantes sem destruir a experiência, sobrecarregar moradores, arriscar vidas e transformar patrimônios naturais em cenário de consumo rápido. Veículos internacionais como The Guardian, AP e Time já vinham destacando que as novas regras nasceram da preocupação com superlotação, lixo, escaladas sem descanso e a chamada “bullet climbing”, quando a pessoa tenta subir de madrugada e descer em seguida, sem dormir e sem aclimatação adequada.

Esse contexto ficou ainda maior com o boom turístico no Japão. A Al Jazeera registrou que o país recebeu mais de 36,8 milhões de visitantes em 2024, um recorde histórico, e que a pressão do turismo já vinha provocando respostas de governos locais em destinos populares como Kyoto e outras áreas de grande fluxo. O Fuji, por estar perto de Tóquio e carregar valor cultural, espiritual e visual, acabou se tornando um dos pontos mais sensíveis dessa nova fase do turismo japonês.

As datas que importam para quem vai subir

Em 2026, Yoshida e Subashiri abriram em 1º de julho, enquanto Fujinomiya e Gotemba têm abertura prevista para 10 de julho. Todas as quatro rotas devem permanecer abertas até 10 de setembro, embora as autoridades ressaltem que neve, clima e condições de segurança podem alterar o cronograma. A abertura antecipada de Subashiri acompanha a lógica da rota Yoshida, já que as duas se encontram perto da parte alta da montanha.

O Fuji tem 3.776 metros, e a aparência “fácil” da montanha engana muitos iniciantes. O site oficial lembra que as quatro trilhas têm perfis diferentes de altitude, distância, tempo de subida, terreno e quantidade de cabanas, por isso a escolha da rota deve considerar preparo físico e experiência. Yoshida é a mais popular e mais estruturada, Fujinomiya é mais curta e íngreme, Gotemba é longa e mais cansativa, e Subashiri mistura trecho de floresta com cascalho vulcânico antes de se juntar ao fluxo da Yoshida.

Subir à noite sem cabana virou risco de ficar barrado

A regra mais importante para quem quer ver o nascer do sol do topo é esta: entre 14h e 3h, a entrada nas trilhas fica restrita para quem não tem reserva em cabana de montanha. Na rota Yoshida, o portão da 5ª estação fecha nesse horário ou quando o limite diário de 4.000 pessoas é atingido; quem tem reserva em cabana pode passar mesmo após o fechamento, mas ainda precisa pagar a taxa de 4.000 ienes.

Do lado de Shizuoka, a regra também exige reserva de cabana para quem pretende entrar na montanha entre 14h e 3h, e a confirmação pode ser verificada no momento da autenticação do passe de entrada. A própria província alerta que o aplicativo de registro não faz reserva de hospedagem, portanto quem pretende escalar à noite precisa reservar diretamente com a cabana escolhida antes da viagem.

O app, o registro e onde reservar antes de ir

O ponto de partida digital para qualquer pessoa deve ser o Official Website for Mt. Fuji Climbing, que direciona os visitantes para o registro e pagamento conforme a trilha escolhida. Para a rota Yoshida, o site leva ao sistema da Província de Yamanashi, com opção multilíngue por meio da plataforma de reserva indicada na página oficial. Para as rotas de Shizuoka, Fujinomiya, Gotemba e Subashiri, o procedimento é feito pelo sistema/app Shizuoka Prefecture FUJI NAVI, que permite estudo prévio das regras, teste de confirmação, registro das informações do escalador, pagamento e emissão do QR code de entrada.

Além disso, Yamanashi recomenda o uso do app Mt. Fuji/Yamareco para mapas, rotas e localização por GPS mesmo em áreas sem sinal, com aviso por voz caso o montanhista saia do trajeto. Já as cabanas devem ser reservadas separadamente, diretamente com cada estabelecimento, e o site oficial mantém listas por rota com contatos e links de hospedagem para Yoshida, Subashiri, Fujinomiya e Gotemba.

O Fuji continua sendo sonho, mas não perdoa improviso

A escalada do Fuji sempre foi vendida como uma experiência única no Japão, mas 2026 deixa claro que a montanha está tentando separar o turista preparado do aventureiro de impulso. Levar roupa de frio, capa de chuva separada, calçado adequado, lanterna, água, comida, dinheiro e plano de descida não é excesso de cuidado, é o mínimo para uma montanha ativa, alta e exposta ao vento, onde a temperatura e o clima podem mudar rapidamente.

No fim, o recado das novas regras é direto: o Fuji continua aberto, mas não está mais aberto para qualquer improviso. Quem quer subir precisa escolher a rota, registrar a entrada, pagar a taxa, instalar o app correto, reservar cabana se for entrar no período noturno e aceitar que a montanha mais fotografada do Japão agora exige algo que muitos turistas esquecem de levar: planejamento.

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