Japão choca torcedores com convocação “ousada e jovem” para a Copa do Mundo 2026
A seleção japonesa de futebol anunciou oficialmente nesta sexta-feira (15) os 26 jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. A lista divulgada pelo técnico Hajime Moriyasu rapidamente dominou os noticiários esportivos no Japão e no exterior, principalmente por causa de ausências consideradas pesadas e pela manutenção de veteranos históricos no elenco.
Depois da campanha surpreendente na Copa de 2022, quando o Japão derrotou Alemanha e Espanha ainda na fase de grupos e ganhou respeito mundial pela organização tática e intensidade, a expectativa em torno desta geração dos Samurai Blue se tornou enorme. Agora, muitos analistas internacionais enxergam o Japão não apenas como uma seleção competitiva da Ásia, mas como uma possível “zebra perigosa” capaz de incomodar gigantes europeus novamente.
A imprensa japonesa tratou a convocação como uma mistura de coragem e risco. Jornais como Yomiuri Shimbun, Asahi Shimbun e Chunichi Sports destacaram que Moriyasu preferiu manter a espinha dorsal da equipe que atuou nos últimos anos, mas também acelerou a renovação com nomes jovens que atuam na Europa.
Mitoma fora da Copa vira o maior choque da convocação
A principal notícia da lista foi a ausência de Kaoru Mitoma, atacante do Brighton, da Premier League inglesa. Considerado por muitos o jogador japonês mais decisivo da atualidade, Mitoma sofreu recentemente uma lesão muscular na coxa e acabou cortado do Mundial.
A exclusão do atacante foi tratada como um duro golpe pela mídia internacional. Veículos europeus apontaram que Mitoma era um dos principais responsáveis por elevar o nível ofensivo da seleção japonesa nos últimos anos, graças à velocidade, dribles e capacidade de quebrar linhas defensivas.
Outro nome importante fora da lista é Takumi Minamino, ex-Liverpool e atualmente no Monaco. Também lesionado, o meia-atacante não conseguiu se recuperar a tempo. Hidemasa Morita, do Sporting, ficou igualmente ausente da convocação final.
Durante a coletiva em Tóquio, Moriyasu demonstrou emoção ao falar dos jogadores que não conseguiu convocar. Segundo jornais japoneses, o treinador afirmou que “pensar nos atletas que ficaram fora é doloroso”, mas reforçou que precisava escolher nomes “100% preparados física e mentalmente” para o torneio.
Veterano de 39 anos fará história pelo Japão

Se algumas ausências chamaram atenção, uma presença específica emocionou muitos torcedores japoneses: Yuto Nagatomo.
Aos 39 anos, o lateral disputará sua quinta Copa do Mundo consecutiva, tornando-se o primeiro jogador japonês da história a atingir essa marca.
Nagatomo virou símbolo de longevidade no futebol japonês. Revelado pelo FC Tokyo, ele construiu carreira internacional de destaque em clubes como Inter de Milão, Galatasaray e Olympique de Marseille. Mesmo sem o mesmo vigor físico dos tempos de auge, sua liderança dentro do grupo é vista como fundamental.
A imprensa japonesa também destacou o peso psicológico de ter veteranos experientes em um torneio tão pressionado quanto a Copa do Mundo. Moriyasu acredita que a experiência internacional será essencial para controlar emocionalmente uma equipe recheada de atletas jovens.
Europa domina a seleção japonesa
Outro ponto que chamou atenção na convocação é o nível internacional do elenco japonês. Grande parte dos atletas atua nas principais ligas da Europa, algo que evidencia a transformação estrutural do futebol japonês nas últimas décadas.
Takefusa Kubo, da Real Sociedad, chega como principal estrela técnica do time. O meia-atacante é tratado pela mídia espanhola como o “rosto da nova geração japonesa” e terá enorme responsabilidade criativa na Copa.
O capitão Wataru Endo, do Liverpool, continua sendo o cérebro defensivo da equipe. Daichi Kamada, do Crystal Palace, Ao Tanaka, do Leeds United, e Ritsu Doan, atualmente no futebol alemão, também aparecem como peças centrais do sistema de Moriyasu.
Na defesa, o retorno de Takehiro Tomiyasu chamou atenção. O jogador, que sofreu seguidos problemas físicos nos últimos anos, foi convocado mesmo ainda recuperando ritmo competitivo.
A presença maciça de atletas atuando na Europa mostra como o Japão consolidou um modelo de desenvolvimento diferente do restante da Ásia. Desde os anos 1990, a J-League investiu fortemente em formação de base, intercâmbio internacional e exportação de talentos. O resultado é uma geração cada vez mais acostumada ao futebol europeu de alto nível.
Japão quer finalmente quebrar a barreira das oitavas
Apesar do crescimento técnico do país, existe uma obsessão que continua perseguindo o futebol japonês: ultrapassar as oitavas de final da Copa do Mundo.
O Japão já chegou quatro vezes às oitavas, mas nunca conseguiu avançar às quartas. Em 2022, ficou muito perto do feito histórico, sendo eliminado pela Croácia nos pênaltis após um jogo extremamente equilibrado. Aquela derrota ainda é lembrada como uma das mais dolorosas da história recente dos Samurai Blue.
Agora, a expectativa é ainda maior. O Japão caiu no Grupo F e enfrentará Holanda, Tunísia e Suécia na primeira fase. A estreia será contra os holandeses, em Dallas, no dia 14 de junho.
Analistas da FIFA e da imprensa internacional consideram o grupo difícil, mas relativamente equilibrado. Muitos acreditam que o Japão tem condições reais de avançar novamente ao mata-mata, especialmente pela consistência tática construída por Moriyasu ao longo dos últimos anos.
A seleção mais forte da história japonesa?
Existe um debate crescente no Japão sobre esta ser ou não a geração mais talentosa da história do país.
A combinação entre jogadores experientes na Europa, jovens revelações e uma identidade tática consolidada faz com que muitos especialistas enxerguem os Samurai Blue em um patamar inédito. Alguns jornais europeus chegaram a classificar o Japão como “o time asiático mais respeitado do futebol mundial atualmente”.
Ainda assim, a ausência de Mitoma e Minamino deixa dúvidas sobre o poder ofensivo da equipe diante das seleções gigantes do torneio.
O Japão entra na Copa de 2026 cercado por expectativa, pressão e esperança. E talvez seja justamente isso que torne esta geração tão fascinante: pela primeira vez, os japoneses não querem apenas surpreender o mundo. Eles querem provar que pertencem definitivamente à elite do futebol mundial.
Goleiros
- Zion Suzuki (Parma / Itália)
- Keisuke Osako (Sanfrecce Hiroshima)
- Kosei Tani (Machida Zelvia)
Defensores
- Yuto Nagatomo (FC Tokyo)
- Takehiro Tomiyasu (Arsenal / Inglaterra)
- Ko Itakura (Borussia Mönchengladbach / Alemanha)
- Hiroki Ito (Bayern de Munique / Alemanha)
- Yukinari Sugawara (AZ Alkmaar / Holanda)
- Ayumu Seko (Grasshopper / Suíça)
- Daiki Hashioka (Luton Town / Inglaterra)
- Shogo Taniguchi (Al-Rayyan / Catar)
Meio-campistas
- Wataru Endo (Liverpool / Inglaterra)
- Hidemasa Morita (Sporting / Portugal)
- Ao Tanaka (Leeds United / Inglaterra)
- Daichi Kamada (Crystal Palace / Inglaterra)
- Takefusa Kubo (Real Sociedad / Espanha)
- Ritsu Doan (Freiburg / Alemanha)
- Junya Ito (Reims / França)
- Reo Hatate (Celtic / Escócia)
- Keito Nakamura (Reims / França)
- Kaishu Sano (Mainz / Alemanha)
Atacantes
- Ayase Ueda (Feyenoord / Holanda)
- Kyogo Furuhashi (Celtic / Escócia)
- Takuma Asano (Mallorca / Espanha)
- Daizen Maeda (Celtic / Escócia)
- Shuto Machino (Holstein Kiel / Alemanha)
Japão chega cercado de expectativa
Mesmo sem Kaoru Mitoma e Takumi Minamino, a seleção japonesa continua sendo considerada uma das equipes asiáticas mais fortes já vistas em uma Copa do Mundo.
O sentimento dentro do Japão é de que esta geração finalmente pode quebrar a barreira histórica das oitavas de final e alcançar algo inédito para o futebol do país.
Para muitos torcedores japoneses, esta Copa não é apenas mais uma participação internacional. É a oportunidade de provar ao mundo que o Japão deixou de ser apenas uma surpresa e se tornou definitivamente uma potência global do futebol.