11 de março: o terremoto de Tohoku e as lições que continuam marcando o Japão

Um desastre que mudou o país
No dia 11 de março de 2011, às 14h46, o Japão viveu um dos momentos mais difíceis de sua história recente. Um terremoto de magnitude 9.1 atingiu o nordeste do país, com epicentro no oceano Pacífico, próximo à região de Tohoku. Foi o terremoto mais forte já registrado na história moderna do Japão.
Minutos depois do tremor, um enorme tsunami atingiu a costa. Em algumas áreas da província de Iwate, as ondas ultrapassaram 40 metros de altura, destruindo cidades inteiras. Casas, carros e barcos foram arrastados pela água em poucos minutos.
O desastre deixou quase 20 mil mortos e desaparecidos e também provocou o acidente nuclear na usina de Fukushima. Desde então, o dia 11 de março se tornou um momento de reflexão nacional sobre prevenção e preparação para desastres naturais.
A preocupação com novos grandes terremotos
Mais de uma década após a tragédia de Tohoku, o medo de novos grandes terremotos continua presente na sociedade japonesa.
Pesquisas recentes mostram que cerca de 80% da população acredita que um grande desastre natural pode acontecer novamente no Japão. Essa preocupação está relacionada ao fato de que o país se encontra no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma região com intensa atividade sísmica. O arquipélago japonês registra cerca de 1.500 terremotos por ano, o que representa aproximadamente 18% dos terremotos do planeta.
Além disso, especialistas alertam há anos para a possibilidade de um grande terremoto na região da Fossa de Nankai, no sul do Japão. Estudos do governo indicam que há cerca de 75% a 82% de probabilidade de um mega terremoto ocorrer nessa área nos próximos 30 anos, o que poderia provocar um tsunami e causar enormes danos em várias regiões do país.
O terremoto de Noto em 2024

A preocupação com desastres voltou ao centro das atenções em 1º de janeiro de 2024, quando um forte terremoto atingiu a Península de Noto, na província de Ishikawa.
O tremor teve magnitude 7.6 e alcançou intensidade máxima de shindo 7 na escala japonesa, o nível mais alto de intensidade sísmica registrado pelo sistema meteorológico do país.
O terremoto provocou grande destruição em várias cidades da região. Mais de 240 pessoas morreram, cerca de 25 mil pessoas foram evacuadas e aproximadamente 60 mil edifícios sofreram danos.
Além disso, muitas estradas foram destruídas e comunidades ficaram isoladas. Aeroportos e portos também sofreram danos, dificultando o envio de ajuda emergencial para a região.
Mesmo assim, especialistas observaram que o número de vítimas poderia ter sido ainda menor se não fosse a rápida evacuação da população, reflexo da cultura de prevenção fortalecida após o desastre de 2011.
A cultura de prevenção no Japão
Um dos principais aprendizados do terremoto de Tohoku foi a importância da preparação individual e comunitária.
Hoje, o Japão possui um dos sistemas de alerta de terremotos mais avançados do mundo. Sensores espalhados pelo país detectam os primeiros sinais de um tremor e enviam alertas por televisão, rádio e celulares segundos antes da chegada das ondas sísmicas mais fortes.
Mesmo alguns segundos de aviso podem permitir que trens parem, elevadores sejam interrompidos e pessoas se protejam.
Além da tecnologia, a preparação também acontece no dia a dia.
Escolas e empresas realizam regularmente simulações de evacuação, e o governo incentiva as famílias a manterem kits de emergência em casa.
O que normalmente existe em um kit de emergência
Especialistas em prevenção recomendam que cada família no Japão tenha suprimentos suficientes para pelo menos três dias após um desastre, já que a ajuda pode demorar para chegar em áreas afetadas.
Entre os itens mais comuns estão:
- água potável
- alimentos não perecíveis
- lanterna
- rádio portátil
- baterias extras
- kit de primeiros socorros
- cobertores ou mantas térmicas
- máscaras e álcool
- carregador portátil para celular
- cópias de documentos importantes
Muitas famílias também mantêm mochilas de emergência próximas à porta de casa, prontas para serem usadas em uma evacuação rápida.
A força das comunidades
Outro aprendizado importante no Japão é a importância da cooperação entre vizinhos.
Em muitos desastres, as primeiras pessoas a ajudar vítimas presas em casas ou prédios são familiares ou moradores da própria comunidade, antes mesmo da chegada das equipes de resgate.
Por isso, iniciativas de apoio comunitário e redes de vizinhos são consideradas parte fundamental da preparação para emergências.
Iwate e a história de Shohei Ohtani
Entre as regiões mais atingidas pelo tsunami de 2011 estava a província de Iwate.

Foi ali que muitas cidades costeiras sofreram enormes perdas humanas e materiais. Ao mesmo tempo, a região também é conhecida por ser o local de nascimento de um dos atletas mais famosos do Japão: Shohei Ohtani.
Ohtani nasceu em 1994 na cidade de Ōshū, em Iwate.
Quando o terremoto de Tohoku aconteceu, ele tinha apenas 16 anos e estudava no ensino médio.
Assim como muitos jovens da região, ele testemunhou o impacto do desastre em sua comunidade.
Naquele período difícil, o esporte teve um papel importante para trazer esperança. Jogos de beisebol escolar ajudaram comunidades a se reunir novamente e encontrar momentos de normalidade após o desastre.
Esperança após a tragédia
Hoje, Shohei Ohtani é uma das maiores estrelas do beisebol mundial. Conhecido por sua rara habilidade de atuar como arremessador e rebatedor, ele se tornou um dos atletas japoneses mais famosos da história.
Mesmo com o sucesso internacional, ele nunca esqueceu suas origens em Iwate.
Em várias ocasiões, o atleta já relembrou o terremoto de 2011 e prestou homenagens às vítimas da tragédia. Para muitos moradores da região de Tohoku, sua trajetória representa esperança e superação.
As lições que permanecem
Mais de uma década após o terremoto de Tohoku, muitas cidades foram reconstruídas e novas infraestruturas foram criadas.
Sistemas de alerta foram aprimorados, planos de evacuação foram reforçados e a educação sobre desastres se tornou parte importante da vida no Japão.
O terremoto de 2011 deixou cicatrizes profundas, mas também trouxe aprendizados que continuam salvando vidas.
E talvez essa seja uma das maiores lições deixadas por aquele dia: mesmo depois das ondas mais devastadoras, a esperança sempre encontra um caminho para seguir em frente.