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Saquê fermentado no espaço pode se tornar a bebida mais cara do mundo

Minna Portal março 17, 2026 5 min 0 visualizações

O Japão acaba de realizar um experimento que parece saída de um filme de ficção científica: fermentar saquê no espaço. A iniciativa foi liderada pela tradicional cervejaria japonesa Asahi Shuzo, responsável pela famosa marca Dassai, em parceria com pesquisadores e empresas do setor aeroespacial.

O projeto levou ingredientes essenciais da bebida até a Estação Espacial Internacional (ISS) para testar como a fermentação — processo fundamental para produzir saquê — se comporta em ambiente de microgravidade. Mais do que uma curiosidade científica, a iniciativa faz parte de um plano ambicioso: estudar como alimentos e bebidas poderiam ser produzidos fora da Terra no futuro.

A experiência pode gerar um resultado extremamente raro. A expectativa é que a pequena quantidade de saquê produzida no experimento seja vendida como uma edição única, que pode alcançar valores de até 100 milhões de ienes, tornando-se potencialmente uma das bebidas mais caras já criadas.


O experimento de fermentação na Estação Espacial

Os ingredientes foram enviados ao espaço em um foguete lançado do Centro Espacial de Tanegashima. Dentro da Estação Espacial Internacional, astronautas iniciaram o processo de fermentação utilizando um equipamento especialmente desenvolvido para funcionar em condições de gravidade extremamente baixa.

O sistema permitiu que os cientistas simulassem um ambiente semelhante ao da gravidade lunar, cerca de um sexto da gravidade da Terra. Durante aproximadamente duas semanas, sensores monitoraram temperatura, atividade das leveduras e evolução da fermentação, enviando dados continuamente para pesquisadores no Japão.

Após o processo, o líquido fermentado foi congelado e armazenado para retornar à Terra, onde agora passa por análises detalhadas para comparar os resultados com o método tradicional de produção de saquê.


O arroz especial usado no saquê

O ingrediente principal do saquê é o arroz próprio para fermentação chamado “sakamai” (酒米), diferente do arroz consumido no dia a dia. Entre as variedades mais valorizadas está o Yamada Nishiki (山田錦), considerado o “rei do arroz para saquê”.

Esses grãos possuem um núcleo rico em amido chamado shinpaku (心白), ideal para o processo de fermentação. Antes de ser utilizado, o arroz passa por um processo de polimento chamado seimai (精米), que remove parte da camada externa do grão.

Essa etapa é essencial porque elimina proteínas e gorduras que podem interferir no sabor final da bebida. Dependendo do tipo de saquê produzido, mais da metade do grão pode ser removida durante o polimento.


Como o koji transforma o arroz em açúcar

Outro elemento fundamental na produção do saquê é o koji (麹 ou 麹菌), um fungo chamado Aspergillus oryzae. Ele desempenha um papel essencial ao transformar o amido do arroz em açúcares que podem ser consumidos pelas leveduras durante a fermentação.

Para produzir o koji, parte do arroz cozido é levada para uma sala especial chamada kojimuro (麹室), onde temperatura e umidade são cuidadosamente controladas. Os grãos são então inoculados com o fungo e incubados por cerca de dois dias.

Durante esse período, o fungo se desenvolve sobre o arroz e produz enzimas capazes de quebrar as moléculas de amido. Esse processo permite que a fermentação aconteça, algo que diferencia o saquê de bebidas como vinho ou cerveja.


A fermentação do saquê

A produção da bebida ocorre por meio de um processo chamado fermentação múltipla paralela (並行複発酵), no qual a conversão do amido em açúcar e a fermentação alcoólica acontecem ao mesmo tempo.

No tanque de fermentação, chamado moromi (醪), são misturados arroz, koji, água e levedura. Esse processo é monitorado cuidadosamente durante várias semanas até que o líquido atinja o teor alcoólico desejado.

Após a fermentação, o líquido é prensado em um processo chamado jōsō (上槽) para separar o saquê do arroz sólido restante.


Uma garrafa que pode valer milhões

A quantidade produzida no espaço é extremamente pequena. Segundo os organizadores do projeto, o líquido fermentado será usado para criar uma edição limitada única, que poderá alcançar valores próximos de 100 milhões de ienes.

A ideia é leiloar a garrafa como um item histórico e destinar parte do valor arrecadado para pesquisas relacionadas à exploração espacial e ao desenvolvimento tecnológico.


O sonho de produzir saquê na Lua

O experimento faz parte de uma iniciativa maior chamada “Dassai Moon Project”, que busca desenvolver tecnologias capazes de produzir saquê em ambientes fora da Terra.

No futuro, se bases humanas forem estabelecidas na Lua, pesquisadores imaginam que será possível criar pequenas instalações para produzir alimentos e bebidas diretamente no local.

Se esse cenário se tornar realidade, o saquê poderá se tornar a primeira bebida alcoólica produzida fora da Terra, levando uma tradição japonesa de séculos para além do nosso planeta.

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